Poluição Luminosa

A imprensa, lembra-nos aqui e acolá de que iremos ser testemunhas de um fenómeno raríssimo, que acontece uma vez em cada mil anos, o que nos faz inchar de orgulho como se por essa coincidência estivéssemos predestinados a um propósito escrito na palma do firmamento.
Então reagimos: “não posso falhar isso” (leia-se: “tenho de o ter, possuir, comprar, é meu”). E depois é o costume: adquirimos o material, subimos a telhados, terraços, cocurutos e pináculos, aguardamos, aguardamos, 3… 2… 1… e lá vem a decepção. Pr'à semana vou ver o MI 3, pensamos. Descemos, com um olho avermelhado e as solas a colar de excrementos. Até nos esquecemos de anotar a efeméride no diário intermitente.
Porquê? Talvez porque o homem moderno vive na cidade das luzes (city lights) onde, excluindo uma mão cheia de “lunáticos”, acaba por se esquecer de olhar o céu. Como está a lua hoje? Eu não sei. Que estrelas podemos avistar, onde está Taurus? Eu nem sei do Wally... quanto mais do Halley.
Neste blog não temos a solução para a falta de interesse pelos astros, podemos é ensinar a pescar em vez de dar o peixe (Paula dixit). Queremos é dar o contributo para que autarcas e governantes desenrosquem os narizes dos umbigos e os espetem por uma vez nas estrelas. É que, por carolice arquitectónica, uma grande percentagem dos nossos candeeiros públicos diverte-se a disparar luz em todas as direcções quando ela é unicamente necessária no solo. Desta forma, além de se desperdiçarmos mais de 50% da energia que seria necessária, estamos a criar uma “nuvem de poluição luminosa” que nos impede de ver o céu. E por causa dessa ofuscação algumas aves migratórias perdem-se da sua rota habitual.
PÔR O CANDEEIRO “CABISBAIXO” é a medida lógica e económica que se impõe. Vamos lá disfarçar um pouco e fazer de conta que não foi por estupidez que asneiramos (há sempre um incapaz lá no serviço que não cumpre as ordem que (não) lhe damos – rua com ele!) e vamos corrigir o tiro.





