ILUSÕES - ÓPTIMAS

Da ILUSÃO à INTERVENÇÃO não vai um passe de mágica... é uma questão de blog.

29 abril 2006

Poluição Luminosa


Muito pouco se fala da Poluição Luminosa (não a confundamos com a “poluição visual”: a lindas caras que temos pela manhã), como muito pouco se fala de estrelas polares, cadentes, de cometas, planetas, etc. É um assunto que se eclipsa, senão totalmente, pelo menos parcialmente do nosso dia-a-dia.

A imprensa, lembra-nos aqui e acolá de que iremos ser testemunhas de um fenómeno raríssimo, que acontece uma vez em cada mil anos, o que nos faz inchar de orgulho como se por essa coincidência estivéssemos predestinados a um propósito escrito na palma do firmamento.

Então reagimos: “não posso falhar isso” (leia-se: “tenho de o ter, possuir, comprar, é meu”). E depois é o costume: adquirimos o material, subimos a telhados, terraços, cocurutos e pináculos, aguardamos, aguardamos, 3… 2… 1… e lá vem a decepção. Pr'à semana vou ver o MI 3, pensamos. Descemos, com um olho avermelhado e as solas a colar de excrementos. Até nos esquecemos de anotar a efeméride no diário intermitente.

Porquê? Talvez porque o homem moderno vive na cidade das luzes (city lights) onde, excluindo uma mão cheia de “lunáticos”, acaba por se esquecer de olhar o céu. Como está a lua hoje? Eu não sei. Que estrelas podemos avistar, onde está Taurus? Eu nem sei do Wally... quanto mais do Halley.

Neste blog não temos a solução para a falta de interesse pelos astros, podemos é ensinar a pescar em vez de dar o peixe (Paula dixit). Queremos é dar o contributo para que autarcas e governantes desenrosquem os narizes dos umbigos e os espetem por uma vez nas estrelas. É que, por carolice arquitectónica, uma grande percentagem dos nossos candeeiros públicos diverte-se a disparar luz em todas as direcções quando ela é unicamente necessária no solo. Desta forma, além de se desperdiçarmos mais de 50% da energia que seria necessária, estamos a criar uma “nuvem de poluição luminosa” que nos impede de ver o céu. E por causa dessa ofuscação algumas aves migratórias perdem-se da sua rota habitual.

PÔR O CANDEEIRO “CABISBAIXO” é a medida lógica e económica que se impõe. Vamos lá disfarçar um pouco e fazer de conta que não foi por estupidez que asneiramos (há sempre um incapaz lá no serviço que não cumpre as ordem que (não) lhe damos – rua com ele!) e vamos corrigir o tiro.

Porque aqui o problema não é o de destruirmos as estrelas (que pretensão), mas de lhes virarmos pura e simplesmente as costas. E isso não queremos.



(GIF de Fabiola)

27 abril 2006

Gigantes ou moinhos?

(Octavio Ocampo)

A resposta está em quem somos: D. Quixotes ou Sanchos Panças.

25 abril 2006

À espera da canção


Hoje “comemoramos” a Revolução de Abril. Usualmente, o dia serve para acabar de distribuir as amêndoas da Páscoa, longe dos solilóquios políticos que proliferam um pouco por todo o lado. Frete por frete, fico-me pela versão radiofónica – é mais fiel àqueles dias a preto-e-branco.

Por onde ando, subindo a Rua 25 de Abril, por exemplo, tenho sempre uma certa dificuldade em imaginar-nos hoje capazes de nos movermos para depor uma tirania – se acreditássemos verdadeiramente que ela existisse. Mas habituámo-nos à estúpida ideia que quanto mais o mundo é colorido mais as coisas nos parecem pretas ou brancas. Chegaram os pixéis, foram-se as nuances. Pelo que não temos que comprometer um bronzeado só para ir votar nuns fulanos que também nem votam quando querem ir “à terra”. E não estamos sob o jugo de uma ditadura.

Por isso, só por exercício imaginativo penso que temos algumas razões para sair à rua. Por puro exercício imaginativo nos visualizo a percorrer a Avenida da Liberdade, punhos no ar, cravos, povo, polícia, vontades… fico à espera da canção.

Entretanto, vivo o meu dia com a vaga ideia de levar comigo um índio da
Meia-Praia que, algures, ajudou a abrir uma porta de prisão.

Muito lhe agradeço
.

23 abril 2006

São pássaros, senhor.

21 abril 2006

"Tudo muda excepto a própria mudança"

Tudo flui, nada persiste, nem permanece o mesmo; tudo se afasta e nada se detém.... Não se consegue tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e outras ainda continuarão a fluir.... É na mudança que as coisas encontram repouso....

Heráclito

20 abril 2006

MANIFESTO (parte II)

Esta é a vertente social do blog e, tal como a primeira, não precisa de unanimidade para existir.

Pegamos nesta substância denegrida que é a ilusão e vamos fazer dela a nossa ferramenta de trabalho. Não para que nos sirva de bóia de salvação (damos alguma credibilidade aos seus detractores) mas quase como fasquia olímpica. E vamos acreditar nela com a ressalva de acreditarmos muito mais que será no caminho que nos leva ao seu encontro que encontraremos e daremos o melhor de nós próprios.

Vamos (e convidamos a) lançar esboços ao ar, para ver os que caem em pé e os que acabam por nos rachar a cabeça. Vamos projectar, idealizar, corrigir, sonhar, quebrar, exigir, exagerar, errar… reflectir. O resultado, só pode ser...

MANIFESTO (parte I)

Esta é a vertente visual do nosso blog.

Vamos propor algumas imagens cujo conteúdo poderá não ser imediatamente decifrável – imagens que parecem o que não são (ou serão?). Não o fazemos com o intuito de enganar ou de parecermos mais espertos. Fazemo-lo para ilustrar, de uma maneira lúdica, que através de outros olhos outros mundos haverão e que vale sempre a pena olhar uma segunda vez.

Convidamos quem olhar …a ver.