ILUSÕES - ÓPTIMAS

Da ILUSÃO à INTERVENÇÃO não vai um passe de mágica... é uma questão de blog.

29 maio 2006

Suave milagre
























(Octavio Ocampo)

22 maio 2006

“Está chover mil escudos!”

O pregão, que soava mais a “está chovele, miléscudos!”, ouvi-o eu à entrada de um Inverno destes, numa saída em que o metro jorra portugueses cinzentos para a Avenida da Liberdade. Recém-chegado a Lisboa até olhei para o céu, mas nada de notas de mil, só chuvinha.


Depois disso continuei a espreitar as nuvens. Choveram sapos, cobras e até estivemos bem perto de um dilúvio de bandeiras nacionais. Notas de mil é que não. Acabei por me convencer de que o vendedor me augurava simplesmente um bom regresso a Portugal.

Encontrei o país no mesmo canto, virado para o mar e sedento de sol. Esta é a verdade.

Todos os dias ouvimos na rádio os jornalistas examinarem o barómetro do trânsito e espreitarem as nuvens com a mesma religiosidade. Porque pode descer o Benfica e subir o preço da gasolina, agora se chove… "que tempo de treta" (isto, claro, codificado em fórmulas legais).

Parece que só os analistas mais perversos ficam felizes por reencontrarem a perspicácia toda: “Os portugueses estão descontentes porque a Selecção não ganha, a gasolina não baixa e a chuva não pára. O que não ajuda.” Pois não. E lá seguimos nós, encarneiradamente, para o trabalho. E se debaixo de um chapéu-de-chuva encontramos um colega, o “bom dia” muda-se em "tempo de caca, não?" Mais à frente, se nos perguntam como vamos indo, "olha pá, como o tempo."

Parece idiotice mas, gota a gota, insensivelmente, comentários destes e o eco que nós lhes damos, penetram-nos no espírito e encharcam-nos os dias. Não é chuva.

Nós comemos todos os dias muito por causa de um aborrecimento chamado chuva, que se fosse mais frequente fazia de nós uns irlandeses alatinados e que se o fosse menos seria tão desejada que a elegeríamos como moeda nacional (como no Botswana onde a pula significa chuva).

Sem entrar mais em considerações existencialistas, teológicas ou ecológicas, eu que até nem sou nada expansivo nem particularmente optimista, a mim choca-me este cuspir para o ar. Como se pode chamar um tempo de merda quando ele nos cai literalmente em cima? O que é que isso faz de nós?...

Pois é, teimamos em querer o sol na eira e a chuva fora de Portugal.

Seca? Incêndios? Inflação? Nós somos é uns intrépidos gauleses que nada temem a não ser que o céu lhes caia em cima.

Por isso digo, faça chuva ou faça sol, ficamos bem nesta nossa aldeia.

Volátil e terrena


(Octavio Ocampo)

21 maio 2006

Viva as mulheres. Viva Portugal!

O Estádio Nacional foi palco da iniciativa "a mais bela bandeira do Mundo", que juntou no relvado do Jamor 18.788 mulheres, um número que constará no livro de recordes do Guinness, no capítulo da "a maior bandeira humana".

Uma iniciativa homologada pelo próprio Guinness, que no Jamor teve o responsável Rob Molloy, reconhecendo a participação de mais de 18.000 mulheres, superando em muito o anterior recorde da "maior bandeira humana".

As muitas horas de espera foram recompensadas e no final as 18.788 mulheres cantaram, acompanhadas pelo público ainda presente no Estádio, o hino nacional, sob o incentivo e voz da cantora Dulce Pontes.
Sendo que nem todas puderam participar na formação da "bandeira", estiveram no estádio cerca de 29.000 pessoas, estando quase todos os cantos do país representados.

Pode-se tirar algumas conclusões, o país vai mal, mas a esperança é sempre a última a morrer!

Portugal Sempre!!!

(foto: Ana Filipa Scarpa)

13 maio 2006

“O velho, duas vezes é menino”


(Octavio Ocampo)

Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
"O menino da sua mãe".

(Fernando Pessoa)

10 maio 2006

As Gordas e eu

Dantes, todos os dias ia visitar as “minhas” Gordas. Cinco minutos antes do trabalho era quanto me bastava para sentir que não começava o dia em “jejum”. Pode parecer excessivo, mas penso que só então despertava – aos olhos das Gordas. Através delas descobria os mexericos da véspera e por elas pautava o resto do dia.

Na manhã seguinte lá estava eu. E lá estavam elas, perfiladas, à disposição. Eu tinha as minhas preferências. Procurava as pretas desconfiando das de cor… imagine-se. Porque, dissessem o que dissessem, para mim era notória a tendência delas ao exagero: escarrapachavam demasiado aquilo que, se fôssemos a ver, não passava de fogo-fátuo na hora da verdade. Por essa razão poucas vezes a dona Ermelinda e eu fazia-mos negócio. Era platónico, poder-se-ia dizer.

Dias houveram em que a Patrícia me acompanhou. Também gostava de as apreciar. Fazia a sua escolha. Demorava-se em algumas. Trocávamos impressões. Mas as minhas preferidas eram quase sempre as mesmas, as que apareciam com uma pontualidade quinzenal, sempre no mesmo sítio, quase à soleira da porta. Eram as que depois me davam mais horas de prazer, as mais …

Infelizmente a dona Ermelinda começou a desleixar-se (e com ela as “nossas” Gordas). Era visível o lastimoso efeito que o peso de algumas fazia às molas já velhas. Frequentemente descurava-se a necessária protecção e, lá diz o ditado, quem anda à chuva molha-se… As Gordas, apesar de tudo, não são excepção.

Agora já não paro.

03 maio 2006

Woman's blues



02 maio 2006

Do Big Bang ao último segundo


No calendário cósmico, o Big Bang acontece precisamente às zero horas do primeiro dia de Janeiro, e cada bilião de anos no universo corresponde a cerca de 24 dias. Um único segundo representa quase quinhentas voltas em torno do Sol.

Neste calendário estão assinalados os principais eventos actualmente disponíveis da história do cosmos, como a época da formação da nossa galáxia, do Sistema Solar, do surgimento dos primeiros organismos vivos na Terra e o despertar do ser humano.

É claro que existem imperfeições. Pode-se descobrir, por exemplo, que as plantas colonizaram a Terra antes do que os cientistas calcularam (e portanto num dia diferente do nosso calendário).

Além disso, devido à extrema compressão do tempo a que nos submetemos nessa escala, todos os eventos de nossa história escrita ficam comprimidos literalmente nos últimos instantes do dia 31 de Dezembro e é quase impossível registá-los integralmente.

Mas isso não importa. O calendário cósmico lembra-nos que além de muito pequenos perante o universo, ocupamos também um instante de tempo insignificante da sua existência. Acima de tudo, que o nosso destino – e o de toda a vida na Terra – dependerá a partir de agora da sensibilidade humana e de nosso valioso conhecimento científico.

http://www.zenite.nu/tema/

01 maio 2006

E no entanto elas movem-se