ILUSÕES - ÓPTIMAS

Da ILUSÃO à INTERVENÇÃO não vai um passe de mágica... é uma questão de blog.

19 julho 2006

Metade de um milagre


14 de Setembro de 1182. Pelas veredas do promontório do Sítio, em Nazaré, D. Fuas Roupinho entregava-se aos prazeres da caça lançando a galope o seu cavalo, no enlace de um veado que se escapava.

Por artes do demo (sempre ele), presa e predador alcançaram a orla do precipício. E a pressa que levavam era tal que não lhes permitia recuo possível.

O cavaleiro, que era crente e costumava genuflectir por ali perto aos pés da imagem de uma virgem que se acreditava ter sido talhada pelas mãos do próprio S. José, teve então o reflexo de se lembrar dela.

Nesse instante, saída de entre as nuvens, surge no céu a Senhora em holograma, assustando o animal que estaca, salvando-se assim cavalo e cavaleiro.



A pedra com a marca dos cascos gravada ainda lá está. Vi-a eu.

Confesso que gosto bastante desta lenda. Gosto até da sua beatice desbotada em que não acredito mas de que me entranho. Mas, acreditemos ou não nelas, há um perigo nestas histórias que é o de nos determos no que nos parece óbvio. Haverá milagre para uns, cascos ABS para outros. E se não fosse nem uma coisa nem outra?

No verão passado, também em Nazaré, quando me dispus a ilustrar um banal “que é isto?” que a Salomé (8 anos) me lançava ao ver um postal, contei-lhe a história, contente por ver que se interessava. No fim, voltei a mostrar-lhe a imagem. Ao que a miúda sentenciou: “Oh, mas o veado morreu.”

Conclusão: não há milagres… perfeitos.

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(Para quem quiser saber mais: Milagre de Nossa Senhora de Nazaré
Para seguir a Senhora até ao Brasil: Basílica de Nazaré)

04 julho 2006

Quem te desenhas, Leonardo?

Sandro Del Prete