ILUSÕES - ÓPTIMAS

Da ILUSÃO à INTERVENÇÃO não vai um passe de mágica... é uma questão de blog.

19 junho 2006

Sêco de raiva, coloco no colo caviar e doces


Tudo quanto nos rodeia e possui um sopro de vida tem um começo, um período mais ou menos longo de existência e um termo no final desse percurso. É um ciclo de vida numa ordem natural das coisas.

Aceitar isto é ter a humildade que nos dá a contemplação da morte e de outras pequenas representações. Só que a nossa é infelizmente uma sociedade que não gosta de falar da morte. Não vá o diabo ouvir…

À procura de outras desordens (pesquisava O Tambor, de Volker Schlöndorff, 1979) fui dar a um Blog argentino (se há uma nacionalidade para Blogs) onde descobri a primeira curta-metragem do espanhol Àlex Pastor. Chama-se La Ruta Natural .

La ruta natural é um palíndromo. E a palavra é tão estranha que o meu Word se apressa a sublinhá-la, o idiota. Por exemplo, cada Ana é um palíndromo, ou seja, é uma palavra, um número ou uma frase que pode ser lida às direitas como às avessas: Ana-anA; 2002-2002; somos-somos; La ruta natural-la ruta natural. Espantoso. E o título deste "post" dá...

Agora o filme:

Um estranho acidente coloca o narrador, divaD, entre a vida e a morte. Nesse limbo, na ânsia de compreender, de se lembrar, tenta percorrer a sua memória como espectador do seu próprio filme. E descobre que se o milagre da vida é o homem nascer entre sangue e dor, isso significa também que só a guerra constrói…


Revê momentos da sua vida passada e dá-lhes talvez outro sentido. Assiste ao nascimento do filho siuL, ao casamento com aruaL. Vê quando se despede de siuL através do vidro da maternidade e os médicos que o levam para sempre. E aruaL, que reage borrando as paredes do quarto da criança, desfazendo-se das roupinhas de bebé. Até que, na brancura de um hospital, os médicos (vestidos de branco) pretendem levar também divaD. É quando se dá o suspenso momento em que tudo pára, sobre um ténue fio de vida, se sustém o fôlego – antes de o entregar.

E divaD que sonhava com um mundo ao contrário, em voltar atrás. Mas sabia que não era possível: “desaparecerei sem deixar rasto. A minha existência desvanecerá com as minhas recordações”, conclui…

O filme tem a força da sua concisão. Pega no extremo de uma vida e percorre-a ao invés, procurando-lhe um sentido em sentido contrário.

Belíssima curta-metragem de Àlex Pastor, que eu não sei dizer em palavras. Não me leiam mas, por favor, dêem-se ao luxo de a ver:

la ruta natural

13 junho 2006

Esta noite na cozinha...

03 junho 2006

Movimento 560

Esta foi uma semana desgraçada. Mil coisas me moíam o espírito quando na segunda-feira decidi entregar-me à terapia do pobre: entrar numa grande superfície comercial e fazer compras.

Quis comprar umas bolachinhas. Fazem-me sempre companhia durante os serões. Compro vários pacotes por semana. Na segunda-feira, vi-me perante um novo dilema: Nacional, é bom, mas a carteira aconselhava-me as Cuetara (umas migalhas mais baratas – por supuesto). Fiquei feliz da vida.

Na quarta-feira voltei. E como até tinha comprado uma bandeira verde/vermelha para mostrar ao resto da rua que sou tão patriota quanto eles, peguei numas Nacional. Mas larguei-las logo. Tinham subido de preço…

O que se passou? Quem foi o estúpido? ...
Tinha sido eu.


Quando me vendeu o pacote de galletas, el señor Cuetara percebeu que tinha de contratar mais um trabalhador, enquanto que o senhor Nacional, que não me vendeu nada, atirou uma moeda ao ar e mandou uma operária ir ver a novela das quatro. O senhor Cuetara, como fabricava mais um pacote de galletas, pôde até baixar o preço. O señor Nacional, como não precisou de fazer mais bolachas, teve de lhes aumentar o preço para pagar os empregados que ainda restavam.

Se eu tivesse comprado logo as bolachas portuguesas, estaria, sem o saber, a fazer um investimento que iria beneficiar o senhor Nacional, a senhora da novela e a minha carteira.

O Movimento 560 tem feito uma campanha de sensibilização para “pormenores” como este.
Numa compra, antes de fazer a relação preço/qualidade, verifique se o produto é português. Se o código de barras iniciar por 560, muito provavelmente está a ajudar-se a si mesmo - a fazer uma pequeno investimento.

Atenção, algumas marcas internacionais podem ter benefícios bem portugueses. Fica tudo explicado aqui:
Movimento 560. É um excelente trabalho do Bruno Barão, da Cátia Milheiro e do Pedro Cavaco. Parabéns aos três.


Da minha parte, espero que fique claro que esta lição de finanças para Tonecas como eu não se deve ao patriotismo exacerbado de seguidores da Selecção nem ao xenofobismo que está perigosamente na moda. É só uma questão de inteligência, não é?

Boas compras (nem acredito que estou a dizer isto).